Home / Corporativas / O que acontece com uma evidência depois que ela deixa a cena do crime?

O que acontece com uma evidência depois que ela deixa a cena do crime?

O que acontece com uma evidência depois que ela deixa a cena do crime?

Uma evidência encontrada em um local de crime passa por uma série de procedimentos antes de chegar ao laboratório. Fotografar, identificar, coletar, embalar, transportar e armazenar corretamente o material são etapas fundamentais para preservar sua integridade e permitir que ele seja relacionado ao caso investigado.

Siga o Canal da Revista Detetive no Telegram

O que acontece com uma evidência depois que ela deixa a cena do crime?

Siga o Canal da Revista Detetive no WhatsApp

Segundo Karine Vieira de Castro Quadros, especialista em Ciências Forenses e perita criminal nos Estados Unidos, todo o percurso precisa ser documentado. O registro permite saber quem teve contato com o item, para onde ele foi levado e em quais condições permaneceu armazenado.

“Todo o processo e cada movimentação são registrados: quem recebeu o item, para onde foi transportado e onde foi armazenado. Isso permite garantir que o resultado apresentado ao final da análise possa ser relacionado de maneira confiável àquela evidência específica coletada em cena”, explica.

Coleta inadequada pode comprometer a análise

O cuidado começa ainda no local onde o vestígio foi encontrado. Antes da retirada, o material deve ser fotografado, documentado e identificado em sua condição original.

A forma de coleta e acondicionamento varia conforme as características de cada item. Materiais biológicos, por exemplo, podem sofrer degradação ou contaminação quando armazenados de maneira inadequada.

Objetos úmidos acondicionados incorretamente também podem favorecer a formação de mofo e a deterioração. Outro risco é a contaminação cruzada, quando material genético ou outras substâncias são transferidos entre vestígios por falhas de procedimento.

Equipamentos de proteção, materiais de coleta adequados e a separação correta dos itens ajudam a reduzir esses riscos.

O que é cadeia de custódia?

Depois de coletada, a evidência deve receber identificação com informações como tipo de material, local e data da coleta e responsável pelo procedimento.

Em seguida, o item é lacrado e transportado para o local apropriado. Esse acompanhamento contínuo integra a chamada cadeia de custódia, responsável por registrar o histórico do material desde a coleta até sua análise.

Na chegada ao laboratório ou à unidade responsável, embalagem e lacres são conferidos e o item é registrado. Dependendo da natureza do caso, o material pode seguir para exames de DNA, toxicologia, impressões digitais ou outras áreas da perícia.

Durante todo esse percurso, as condições de armazenamento precisam ser compatíveis com as características do vestígio.

“Um erro na coleta ou no transporte pode prejudicar e até impedir uma análise adequada, produzindo resultados não confiáveis”, afirma Karine.

A especialista destaca que a cadeia de custódia tem papel essencial para demonstrar que o material analisado corresponde ao item originalmente encontrado e que seu percurso foi devidamente documentado.

O trabalho do laboratório começa antes da análise

A confiabilidade de um exame pericial não depende apenas dos equipamentos utilizados.

As condições em que a amostra chegou, a integridade da embalagem, possíveis contaminações, problemas com reagentes e eventuais falhas técnicas também precisam ser registradas ao longo do procedimento.

“O laudo final é o resultado de uma cadeia de procedimentos. Ele não começa quando o item chega ao laboratório, começa muito antes, na cena do crime”, explica a especialista.

Isso significa que uma análise tecnicamente correta pode ser prejudicada se etapas anteriores tiverem sido realizadas de forma inadequada.

O chamado “efeito CSI”

Filmes e séries policiais costumam apresentar exames periciais como processos rápidos, capazes de produzir respostas conclusivas em pouco tempo. Na prática, nem todo material encontrado em uma investigação precisa ser encaminhado para análise e nem toda amostra apresenta condições suficientes para gerar um resultado.

Impressões digitais, por exemplo, não estão necessariamente presentes em todos os locais e, quando encontradas, podem não apresentar qualidade suficiente para identificação.

Essa diferença entre a ficção e o funcionamento real da perícia é frequentemente associada ao chamado “efeito CSI”, expressão utilizada para descrever a influência das produções policiais sobre a percepção do público em relação à ciência forense.

Encontrar um vestígio, portanto, não significa obter imediatamente uma resposta. Seu valor depende da forma como ele é documentado, preservado, analisado e interpretado dentro do contexto da investigação.

“O trabalho forense envolve muito mais do que encontrar uma ‘prova’ que confirme uma hipótese. O papel da ciência forense é produzir informações confiáveis que possam apoiar a investigação, inclusive quando o resultado não é o esperado”, afirma Karine Quadros.

Na prática, o trabalho pericial não consiste em fazer os vestígios confirmarem uma narrativa previamente estabelecida, mas em identificar aquilo que o material analisado permite sustentar tecnicamente.

*O que acontece com uma evidência depois que ela deixa a cena do crime?

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica individualizada. Em caso de dúvidas específicas, consulte um profissional habilitado.

Ecos do Rio
Publicidade

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *