Câmeras analógicas, mapas rodoviários de papel e a busca presencial por endereços ficaram no passado. Uma reportagem do g1 publicada neste domingo (30) mostra que investigadores particulares trocaram os equipamentos antigos por celulares, aplicativos de navegação e câmeras mais discretas. Apesar dos novos recursos, a essência do trabalho continua a mesma: a discrição.
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Câmeras soviéticas dão lugar ao smartphone
Com décadas de experiência no setor, o investigador particular Milton Silveira lembra quando usava uma câmera analógica Zenit, de fabricação soviética, nas investigações. Na época, encontrar uma rua desconhecida podia exigir a consulta a mapas impressos — o que nem sempre era prático durante um acompanhamento.
O investigador particular Eugênio Neto enfrentava um problema semelhante quando precisava atuar em cidades pequenas. Para localizar determinado endereço, muitas vezes era necessário parar e pedir informações aos moradores, o que colocava em risco o sigilo da operação. Hoje, aplicativos de navegação resolveram o problema, enquanto smartphones e equipamentos menores permitem o registro de imagens de maneira mais discreta.
Homens passam a procurar mais o serviço de investigadores particulares
O perfil de quem contrata investigação conjugal também mudou. A investigadora particular Karla Alves, com cerca de 30 anos de atuação, conta que no passado aproximadamente 70% de seus clientes eram mulheres. Atualmente, a procura está praticamente dividida entre homens e mulheres.
A profissional também relata mudanças na própria estrutura de trabalho. Em sua equipe, os agentes de campo recebem apenas as informações estritamente necessárias para a execução do serviço, sem contato direto com o cliente. Karla passou a atuar menos nas ruas e hoje concentra parte de sua rotina na área comercial e na formação de novos agentes.
Entre os investigadores particulares em Campinas, Vanessa Pasqual atua há 15 anos e afirma que uma das motivações para permanecer na profissão é a possibilidade de ajudar mulheres que chegam aos escritórios em momentos de forte abalo emocional provocado por problemas nos relacionamentos.
Segundo Vanessa, algumas clientes chegam sem disposição até mesmo para cuidar da própria aparência. A profissional relatou ao g1 que já acompanhou mulheres em compras de roupas, sapatos e maquiagem e que considera gratificante observar a recuperação da autoestima dessas clientes. Esse contato próximo com situações pessoais também faz parte da rotina de investigadores particulares que trabalham com demandas conjugais.
Outra mudança percebida após a pandemia foi o aumento de pessoas que procuram investigadores particulares por acreditarem que estão sendo seguidas, observadas ou monitoradas. Eugênio Neto relata que passou a receber mais contatos desse tipo — uma situação que exige avaliação cuidadosa antes de aceitar o serviço, considerando a viabilidade do caso e seus limites éticos e legais.
Investigadores particulares atuam além dos casos de infidelidade
Embora os casos conjugais sejam os mais conhecidos, a atuação dos investigadores particulares também envolve localização de pessoas e obtenção de informações relacionadas a interesses privados.
A Lei nº 13.432/2017 dispõe sobre o exercício da profissão de detetive particular e define a atividade como a coleta de dados e informações de natureza não criminal, utilizando conhecimentos técnicos e meios tecnológicos permitidos.
A legislação determina que o serviço seja formalizado por contrato escrito, estabelece deveres de sigilo e prevê a entrega de relatório circunstanciado ao contratante. Em uma investigação policial em andamento, o investigador particular pode colaborar desde que esteja expressamente autorizado pelo cliente, ficando a aceitação dessa colaboração a critério do delegado responsável, que pode admiti-la ou rejeitá-la.
Crescimento do setor e valores das investigações
O mercado formal acompanhou essa expansão em Campinas. Dados da prefeitura mostram que o município tinha 14 empresas e autônomos registrados na atividade em 2021 (CNAE 8030-7/00). Em 2025, o número subiu para 26 registros ativos — lembrando que uma única empresa pode reunir diversos profissionais.
O custo de uma investigação varia conforme a duração, os deslocamentos e o número de agentes envolvidos. Segundo Marcelo Carneiro de Souza, vice-presidente da Associação Nacional dos Detetives e Investigadores Privados do Brasil (Anadip), os valores costumam partir de R$ 13 mil a R$ 15 mil, podendo ultrapassar R$ 30 mil em casos mais extensos.
Fonte: g1 Campinas e Região (30/08/2026) | Legislação: Lei nº 13.432/2017.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica individualizada. Em caso de dúvidas específicas, consulte um profissional habilitado.