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Entrevista investigativa: a nova era da busca por provas

A transição do interrogatório coercitivo para a entrevista investigativa baseada em evidências transforma a apuração de crimes no Brasil.

Jones TanabeJones Tanabe 26 de outubro de 2026 5 min

◆ Artigo informativo — conteúdo de caráter jornalístico

Entrevista investigativa: a nova era da busca por provas
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A prática policial brasileira atravessa uma mudança de paradigma fundamental. O foco tradicional, historicamente voltado à obtenção de confissões sob pressão, cede espaço para a entrevista investigativa, uma metodologia pautada em evidências científicas e no respeito aos direitos fundamentais. Essa abordagem prioriza a coleta de informações precisas em detrimento da busca por admissões de culpa, que, quando obtidas sob coação, elevam drasticamente o risco de falsas confissões e erros judiciários.

A detetive e o investigador moderno compreendem que a memória humana é maleável. Técnicas inadequadas, como interrogatórios longos ou o uso de falsas evidências, podem induzir o entrevistado a criar relatos distorcidos, comprometendo a integridade da investigação criminal. Em vez disso, protocolos como o modelo PEACE — sigla em inglês para Planejamento e Preparação, Envolvimento e Explicação, Conta, Clarificação e Desafio, e Avaliação — têm sido adotados para estruturar o diálogo de forma ética e eficaz.

Entrevista investigativa e a superação de vieses

Um dos pilares dessa nova mentalidade é o reconhecimento dos vieses cognitivos. Profissionais da segurança pública, como os que atuam em São Paulo ou Salvador, são treinados para evitar o chamado "viés de confirmação", onde o investigador busca apenas dados que sustentem sua hipótese inicial, ignorando evidências contraditórias. A literatura científica, conforme apontado em estudos da Revista Brasileira de Direito Processual Penal, demonstra que a análise intuitiva de comportamentos não verbais — como supostos sinais de mentira — carece de precisão científica e não deve ser o único critério para avaliar a veracidade de um depoimento.

A aplicação de técnicas como a entrevista cognitiva aprimorada permite que vítimas e testemunhas recuperem detalhes de eventos traumáticos com maior acurácia, sem a contaminação por perguntas sugestivas. Conforme detalhado pelo UNODC, o sucesso da diligência depende da capacidade do entrevistador em estabelecer um rapport, criando um ambiente seguro que favoreça a colaboração voluntária.

Essa evolução técnica reflete uma maturidade institucional. Ao abandonar métodos coercitivos, a polícia judiciária não apenas protege o devido processo legal, mas também fortalece a qualidade das provas produzidas, garantindo que a verdade dos fatos prevaleça sobre a pressão por resultados imediatos. A ciência forense, aliada à psicologia do testemunho, torna-se, assim, a ferramenta mais poderosa na elucidação de crimes complexos.

Editor: Jones Tanabe

Fonte oficial: Revista Detetive

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