Ao Vivo
Brasil · 24h
Casos Criminais
ArquivoCasos Criminais ↗

Francisco da Costa Rocha: Chico Picadinho e a psicocriminal

O caso de Francisco da Costa Rocha, o Chico Picadinho, permanece como um marco na história criminal brasileira e no debate sobre a mente criminosa.

Jones TanabeJones Tanabe 17 de outubro de 2026 6 min

◆ Artigo informativo — conteúdo de caráter jornalístico

Francisco da Costa Rocha: Chico Picadinho e a psicocriminal
DOSSIER NOIR

◆ Canais Confidenciais ◆

Instale no seu aparelho · Passo a passo

Chico Picadinho e a psicocriminal no Brasil

O caso de Francisco da Costa Rocha, amplamente conhecido como Chico Picadinho, é um dos episódios mais sombrios da crônica policial brasileira. Nascido em Espírito Santo em 1942, ele se tornou o símbolo de uma discussão profunda sobre a psicocriminal e a capacidade do Estado em lidar com indivíduos que apresentam transtornos de personalidade antissocial graves. A trajetória de Francisco, que passou décadas sob custódia do Estado, levanta questões complexas sobre a fronteira entre a periculosidade, a responsabilidade penal e a eficácia das medidas de segurança aplicadas pela policial e pelo sistema judiciário.

O caso

A notoriedade de Francisco da Costa Rocha consolidou-se após dois crimes brutais cometidos em São Paulo, com um intervalo de uma década. O primeiro homicídio ocorreu em 1966, vitimando uma mulher com quem mantinha um relacionamento. O modus operandi, que envolvia o esquartejamento das vítimas, chocou a sociedade da época e deu origem ao apelido que o marcaria para sempre. Após cumprir parte da pena, ele obteve liberdade em 1974, mas a reincidência em 1976, com o assassinato de outra mulher, selou seu destino como um dos casos mais emblemáticos de serial killer no país.

A investigação e o desfecho

A investigação policial, na década de 1960, revelou um padrão de comportamento que desafiou os peritos da época. O Tribunal de Justiça de São Paulo acompanhou o desenrolar dos processos, que transitaram entre a condenação penal e a aplicação de medidas de segurança. Diferente de um detento comum, Francisco foi submetido a sucessivos exames de sanidade mental. Em 1994, um novo incidente de sanidade mental resultou em sua transferência para a Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté. A discussão jurídica centrou-se na sua periculosidade contínua, impedindo sua reintegração social. Hoje, ele é considerado um dos presos mais antigos do sistema carcerário brasileiro, vivendo sob constante monitoramento psiquiátrico, o que ilustra a complexidade da criminologia aplicada a casos de alta periculosidade.

Reflexões sobre a mente criminosa

O estudo do caso de Chico Picadinho é frequentemente utilizado em faculdades de direito e psicologia para ilustrar o conceito de psicopatia e a falha na ressocialização de indivíduos com traços sádicos. A literatura especializada aponta que fatores como o histórico familiar, a rejeição na infância e o comportamento sádico precoce são elementos recorrentes na formação de perfis criminais dessa natureza. A análise crítica, contudo, alerta para o perigo da estigmatização e a necessidade de uma abordagem multidisciplinar que considere o contexto social e psíquico do indivíduo, evitando que a figura do "monstro" obscureça a compreensão técnica necessária para a prevenção de novos crimes.

Editor: Jones Tanabe

Fonte oficial: Revista Detetive

◆ Fim do dossiê ◆
◆ Compartilhar ◆

↻ Casos Relacionados