Como a polícia desvendou o rastro do Maníaco do Parque em São Paulo
Entenda como a perícia e o depoimento de sobreviventes levaram à identificação de Francisco de Assis Pereira, o serial killer do Parque do Estado.
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Em meados de 1998, a rotina da maior metrópole brasileira foi sacudida pelo surgimento de corpos despidos e com sinais evidentes de violência sexual no interior da densa mata do Parque do Estado, na zona sul de São Paulo. O que pareciam homicídios desconexos rapidamente revelou a ação metódica e perturbadora de um único indivíduo: Francisco de Assis Pereira, que logo ganharia das manchetes e dos relatórios policiais a alcunha de Maníaco do Parque.
A desarticulação dessa cadeia de mortes não se deu por acaso. Foi o resultado de um minucioso trabalho de inteligência forense, cruzamento de dados de desaparecidos e a coragem de mulheres que conseguiram escapar do predador para colaborar com os agentes da lei nesta cobertura de Casos Criminais.
O padrão que acendeu o alerta do DHPP
As primeiras pistas surgiram quando um adolescente, ao buscar uma pipa na mata fechada, avistou o cadáver de uma jovem. Dias depois, armadilhas montadas para capturar pássaros revelaram novos corpos na mesma área florestal. Peritos do Instituto Médico Legal (IML) identificaram marcas de asfixia por estrangulamento e marcas de mordidas espalhadas pela pele das vítimas, um traço evidente de sadismo que começou a traçar o perfil criminológico do autor.
O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil paulista assumiu a coordenação dos inquéritos, centralizando as investigações sob o comando do delegado Sérgio Luís Alves. O perfil traçado era específico: jovens mulheres, atraídas na movimentada região central da Sé ou avenidas de comércio popular sob a falsa promessa de ensaios fotográficos de moda ou testes publicitários para cosméticos.
O falso caça-talentos e o avanço da perícia
Francisco utilizava habilidades de convencimento e lábia para atrair mulheres que pareciam fragilizadas emocionalmente. Ele se apresentava com nomes falsos, com frequência chamando-se "Jean", oferecendo cachês tentadores e convencendo as jovens a subir na garupa de sua motocicleta para realizar sessões fotográficas fictícias no parque.
O ponto de virada na investigação veio através de uma ligação confidencial. Uma mulher relatou aos policiais ter sido abordada com a mesma proposta na Praça da Sé, mas recusou o convite. O indivíduo havia insistido e deixado um número de telefone anotado em um bilhete caso ela mudasse de ideia. Esse registro telefônico levou os policiais até uma empresa de motoboys onde o suspeito prestava serviços.
Quando os policiais civis chegaram ao local de trabalho, descobriram que Francisco de Assis Pereira havia fugido de forma abrupta, deixando para trás um jornal que trazia o retrato falado divulgado pela imprensa paulista. Todo o trabalho empírico, que se assemelha às minúcias da rotina de um detetive especializado em rastreamento patrimonial e de pessoas, colocou os agentes na pista definitiva do foragido.
Cruzamento de dados e a prova material
Ao aprofundar o histórico do funcionário foragido, a equipe do DHPP cruzou informações com o setor de desaparecidos e encontrou o registro sobre a jovem Isadora Fraenkel, vista pela última vez na companhia de Francisco. O suspeito já havia sido interrogado de forma preliminar semanas antes pelo sumiço da jovem, ocasião em que não existiam elementos suficientes para a prisão preventiva.
A prova material consolidou-se quando os policiais localizaram folhas de cheques da jovem utilizadas por Pereira para comprar itens em lojas esportivas, além de capacetes. Com a fotografia do motoboy em mãos, o delegado convocou as sobreviventes do parque. O reconhecimento fotográfico e presencial foi unânime, conforme documentado no acervo histórico do Maníaco do Parque.
"Ele se aproximava prometendo um futuro brilhante e explorava a inocência das vítimas com frieza milimétrica."
A captura e o legado para a perícia criminal brasileira
Com o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça e a imagem amplamente exibida em rede nacional, teve início uma caçada que durou 23 dias. Francisco fugiu de São Paulo e buscou refúgio na fronteira do Rio Grande do Sul, onde acabou reconhecido e detido pela polícia na cidade de Itaqui.
Ao ser confrontado com o conjunto probatório elaborado pelos peritos forenses e médicos legistas, o assassino confessou os homicídios e indicou com exatidão onde havia ocultado os corpos restantes no Parque do Estado. O caso impulsionou a modernização dos protocolos de registro de desaparecidos no país e estabeleceu novos precedentes para a análise de cena de crime e psicologia forense no Brasil.
Editor: Jones Tanabe
Fonte oficial: Revista Detetive







